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Empregos sob ameaça

Se ainda não sabe, o brasileiro vai ter que aprender a poupar para enfrentar as adversidades esperadas para o ano de 2016. O balanço do CAGED - Cadastro Geral de Empregados e Desempregados revela que o Brasil perdeu no ano passado 1.542.371 vagas de trabalho com carteira assinada, uma queda de 3,74% em relação a 2014. É uma queda acentuada e que, infelizmente, não se encerrou com o ano que findou em dezembro.


Entre os setores que mais demitiram estão a indústria de transformação, construção civil, serviços e comércio. E as expectativas para os próximos meses não são nada animadoras. Quem ainda está conseguindo se manter no mercado de trabalho tem que se esforçar bastante para segurar o emprego, investindo na capacitação profissional e desenvolvendo o espírito de colaboração em equipe, atributos cada vez mais valorizados pela turma do RH.


A economia está em franca desaceleração e, pior, com perda crescente de credibilidade. A manutenção da taxa de juros SELIC em 14,25% contibuiu ainda mais para esse cenário. Depois de sinalizar para um aumento de juros a fim de conter a inflação e aproximar-se da meta prevista, o Banco Central voltou atrás, mostrando a falta de autonomia com relação ao Planalto. Ainda que a manutenção da taxa de juros não seja tão  ruim neste momento, a interpretação dessa decisão mexeu com o mercado porque sinalizou, mais uma vez, a falta de previsibilidade da política monetária. Para alguns economistas, além de comprometer a credibilidade do Banco Cental, ela ainda pode elevar a expectativa de inflação.


O dólár, que serve como moeda para a compra de muitos insumos utilizados na nossa indústria, fechou ontem com a maior cotação desde a implantação do real, em 1994. A moeda norteamericana foi vendida nesta quinta-feira a R$4,16. Tudo isso traz consequências negativas para o setor produtivo, que gera empregos e faz a moeda circular no país.


Portanto, o ano é de cautela e contenção de gastos para que o trabalhador não seja pego de surpresa e fique sem trabalho, de uma hora para outra, e sem condições de sustentar a família. A massa de desempregados hoje já está absurdamente alta. Se piorar, o caos econômico pode se transformar também em uma catástrofe social