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A lição da Petrobrás


Ainda que tardiamente, após acumular um prejuízo na casa dos bilhões de reais com o escândalo do pretrolão, a Petrobrás decidiu, enfim, dar um novo rumo à gestão da empresa, com redução de custos e mais rigor no acompanhamento de contratos e licitações. O presidente da estatal, Aldemir Bendine, chegou a anunciar o fim das indicações políticas para cargos de direção, o que, segundo ele, seria "uma grande blindagem que se faz". Disso, ninguém tem dúvida. O que não se sabe é se ele vai conseguir sustentar esse compromisso.


Ainda dentro do pacote do novo modelo gerencial está a redução de 14 funções na alta administração e nas diretorias, que passariam de 7 para 6. Já as funções gerenciais ligadas diretamente ao Conselho de Administração, ao presidente e aos diretores caíram de 54 para 41. Com essas  e outras medidas, a Petrobrás estima uma economia de R$1,8 bilhão de reais por ano, dentro do que definiu como " prioridade da rentabilidade e disciplina de capital.". Demorou, mas parece ter aprendido a lição, o que só o tempo dirá.


O mesmo não aconteceu com a Presidente Dilma Rousseff que, reunida ontem com o Conselhão, disparou mais uma vez que "diante do momento de crise no país, o melhor caminho é recriar a CPMF- Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira". Quando o governo vai finalmente entender que a saída é cortar despesas e, não, aumentar impostos?


O contribuinte brasileiro, por mais pacato e acomodado que seja,  não suporta mais o aumento na carga tributária, que já tem um peso exorbitante sobre seu orçamento. Por  que o governo não segue o exemplo da Petrobrás e adota a "disciplina de capital"? Até quando o Planalto pretende esticar a corda da capacidade de pagamento e da paciência dos brasileiros? Se a União não sabe administrar seus recursos, gastando somente dentro do limite da sua capacidade, os contribuintes não podem assumir esse ônus. Até porque, cada brasileiro já cortou o que podia dentro da sua empresa ou da sua própria casa. Está na hora de o governo começar a fazer o mesmo.