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Protesto irracional


De tão indignada com a impunidade, a sociedade está tomando o perigoso caminho de tentar fazer justiça com as próprias mãos, resolvendo seus problemas por conta própria. Não deveria ser assim. Não pode ser assim. Mas, infelizmente, é o que vem ocorrendo no Piauí ultimamente.
Ontem mesmo, depois de mais um assassinato brutal praticado contra um pai de família que trabalhava como gráfico e também como taxista, a indignação dos colegas da vítima transformou-se em uma manifestação que deveria ser de protesto, mas que tornou-se um ato de desordem, provocando transtorno no já complicado trânsito de Teresina.


Cada vez que um taxista é morto, a categoria acha-se no direito de bloquear um importante cruzamento no centro da cidade, na Rua Coelho de Resende com Avenida José dos Santos e Silva, em frente à Central de Flagrantes. Não é a primeira vez que isso acontece. E sempre no final da tarde, quando as pessoas estão se deslocando de volta para casa.


A revolta dos taxistas, por maior e mais justificada que seja, não pode ser suficiente para impedir o livre direito de ir e vir de uma comunidade inteira. Bloquear o acesso de vias importantes é promover desordem e não se pode tolerar esse tipo de coisa em um Estado minimamente civilizado. Ainda mais se levarmos em conta que o referido cruzamento fica a uma quadra de um hospital de urgência cardíaca, de onde partem ambulâncias a todo instante. A Rua Coelho de Resende é também importante via de acesso ao HUT - Hospital de Urgência de Teresina, além de ser rota dos ônibus que fazem o transporte coletivo da capital.


Não bastasse o bloqueio da rua com veículos fechando o cruzamento, os taxistas ainda tocam fogo em pneus, causando uma confusão de grandes proporções e mobilizando equipes do Corpo de Bombeiros que poderiam estar atuando em casos realmente necessários. Assim como a Polícia foi ágil em prender o assassino, deve agir também para garantir a ida e vinda dos moradores que precisam se locomover pelas ruas da cidade.