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O reduzido ano dos parlamentares

Ainda ontem à tarde, quase todos os brasileiros retomaram o trabalho. Quase, não todos, porque em Brasília uma "categoria" decidiu que os dias de Momo eram poucos para aproveitar a folia. Não é propriamente uma categoria profissional, mas uma pequena casta formada pelos congressistas que, não satisfeitos em terem iniciado o ano legislativo no dia 02 de fevereiro, só devem retomar as atividade parlamentares na próxima terça-feira. Para eles, o carnaval dura bem mais que uma semana. Talvez dure o ano inteiro, já que há até palhaços, assumidos ou não, lá dentro. 


O tempo de trabalho dos nossos parlamentares é muito reduzido. A começar pela semana, que não possui o mesmo número de dias úteis que a dos demais trabalhadores brasileiros. Basta ir ao Congresso de terça a quinta-feira. Mais que isso, iria sobrecarregá-los, coitados! Afinal, são tantas as atividades desenvolvidas ali, entre intrigas, lobby, brigas por emendas, tentativa de salvar a própria pele de julgamentos ou até da cassação dos próprios mandatos. Realmente, não dá para exigir deles um sacrifício maior. Além do mais, com um salário irrisório de R$ 33,7 mil mensais, mais 13°, 14° e 15° salários , não dá para exigir muito desse pessoal.


E este ano, especialmente, eles terão muitas ocupações extras. Daqui a pouco, começa a semana santa; depois, vêm as festas juninas, que emendarão com as férias de julho. Logo em seguida, o Brasil sediará as Olimpíadas e, depois, bem, depois é eleição. E mesmo sendo eleição municipal, todo representante em Brasília tem seus candidatos nos municípios onde é bem votado. 


Fechando as contas para 2016, sobrará pouco tempo para a discussão e votação da reforma fiscal, só para citar um exemplo vital para o país. Mas quem quer saber disso? Os analistas do Credit Suisse já prevêm uma retração histórica na economia que deve se estender por três anos seguidos, algo não visto desde 1930. E ainda há o embaraço político da situação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e da própria presidente Dilma Rousseff, ameaçada por um impeachment. 


Por dever de justiça, é bom destacar que nem todos são iguais e que há, sim, parlamentares comprometidos com os votos que receberam. Infelizmente, são exceção. E como diz o ditado popular: "uma andorinha só não faz verão".