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O Brasil entra em guerra amanhã


O Brasil está em guerra. Nada que lembre os conflitos armados por independência ou defesa das fronteiras. O inimigo comum de todos os brasileiros é pequeno, tem asas e um poder avassalador de transmitir doenças com uma simples picada. Nome oficial: Aedes aegypti,também conhecido como mosquito da dengue, embora ele seja o vetor de várias outras doenças, como febre amarela, chikungunya e a temível zika.


Depois que o Ministro da Saúde declarou que o Brasil estava perdendo a guerra para o mosquito, o governo federal decidiu reagir e arregaçar as mangas, convocando toda a população, e até o exército, para combater o inimigo comum. Amanhã será o grande dia de mobilização e conscientização de combate ao mosquito.


Ao longo dos anos, sucessivas campanhas educativas têm sido veiculadas nos diversos meios de comunicação sobre como erradicar os possíveis criadouros das larvas do Aedes aegypti. No entanto, a população parece ignorar todos os apelos. Até que, no segundo semestre do ano passado, uma epidemia de microcefaliza ( redução do perímetro craniano dos bebês), associada ao zika, começou a ganhar números assustadoras.


Até agora, o Piauí já conta com 112 casos de microcefalia. São muitas crianças prejudicadas pelo resto da vida por conta de um descuido do poder público e dos moradores. Algo perfeitamente evitável, com a eliminação dos focos do mosquito. Outras tantas crianças deixarão de nascer, porque as mães decidiram suspender os planos de engravidar até que a situação volte ao controle.


Para que isso aconteça, toda a comunidade tem que trabalhar  de forma vigilante e ininterrupta, impedindo o acúmulo de água em qualquer depósito, por menor que pareça, que possa servir para que a fêmea deposite suas larvas. Ao longo do tempo, o mosquito sofreu mutações, tornando-se mais resistente. Nós também temos que reforçar nossas estratégias e assumir um comportamento mais responsável, evitando acumular lixo ou jogar objetos no chão que possam acumular água. É sempre bom lembrar que até uma simples tampinha de refrigerante pode servir como criadouro. Quanto ao poder público, cabe a limpeza dos espaços e logradouros públicos, bem como a aplicação de penalidades aos donos de terrenos baldios que servem como depósito de lixo.