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O amargo preço de uma decisão errada


A epidemia de zika que se espalhou por todo o país, trazendo as já catastróficas consequências dos bebês afetados pela microcefalia, tem sua razão de ser. Com recursos escassos por conta da crise financeira, o governo federal não hesitou em cortar os investimentos na área da saúde. Poderia ter economizado nas despesas com mordomias desnecessárias dispensadas aos que ocupam os gabinetes luxuosos de Brasília, ou nas cotas de patrocínio nem sempre bem esclarecidas, ou ainda nos gastos com publicidade oficial. Mas, não. Cortou justamente onde não poderia.


Os repasses federais para ações de vigilância epidemiológica, que incluem prevenção e controle de doenças evitáveis, foram reduzidos em 9,2%  no ano passado. O percentual parece até pequeno, mas representa exatos R$ 500 milhões. Dinheiro que poderia ter sido investido no controle de doenças como dengue, malária, hepatite e AIDS.


De todos os Estados brasileiros, o Piauí foi o que menos investiu nessa área, desembolsando apenas R$ 10 milhões durante todo o ano passado, quantia irrisória se comparada ao que é gasto depois no tratamento dos pacientes infectados pelas mesmas doenças que deixaram de ser combatidas. É o tipo da economia despropositada, já que a prevenção é sempre mais barata que o tratamento, além de evitar as sequelas e o afastamento dos pacientes do seus postos de trabalho.


Como toda decisão implica consequências, a que se viu no ano passado foi a escalada de casos do zika vírus, que se propagou de forma rápida e preocupante por todo o país. Pior que a zika são os desdobramentos que ela pode ocasionar, como a microcefalia, que compromete o desenvolvimento da criança pelo resto da vida, quando não provoca a sua morte, e a síndrome de Guillain Barré. Muito mais barato e, certamente menos traumático para milhares de famílias, seria ter investido no controle efetivo de combate ao vetor dessa doença, o mosquito Aedes aegypti, que transmite também a dengue e a chykungunia. É mais um vexame, fruto de uma política desastrosa de saúde pública, que inverte prioridades e deixa a população à mercê da própria sorte.