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Apertem os cintos que o dinheiro sumiu

A economia brasileira sofreu mais um revés ontem com o rebaixamento da nota da agência Standard & Poor's, que mede o grau de investimento de um país. O Brasil desceu para o nível especulativo BB, dois pontos abaixo do grau de investimento. Em cascata, caíram também as notas da Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Eletrobrás e BNDES. Ou seja, vai ficar ainda mais difícil atrair capital estrangeiro.


O dólar, faz tempo, disparou e não mostra sinais de queda. A moeda norte-americana oscila em torno de R$ 4, puxando para cima uma série de preços de produtos que são atrelados a ela. As vendas no comércio varejista já estão em baixa desde o ano passado e continuam despencando, provocando o fechamento de lojas e a consequente demissão de empregados.


Como a crise política em Brasília se arrasta indefinidamente, sem sinais de que será resolvida a curto prazo, a economia segue a mesma trilha, tropeçando aqui e ali, tentando sobreviver muito mais à custa do esforço pessoal dos empresários do que da iniciativa do governo em incentivar o setor produtivo.


E, como sempre acontece quando a situação complica lá em Brasília, o governo volta a conclamar a volta da CPMF como uma panaceia. Só que não. O que o Planalto não percebe é que a capacidade do contribuinte brasileiro de pagar mais impostos já se exauriu. Todo mundo que trabalha e recebe seu salário honestamente, sem beneficiar-se de propina, já está com a corda no pescoço, depois de cortar tudo que podia no orçamento doméstico. Até a escola dos filhos está sendo sacrificada. Neste ano, houve um número significativo de matrículas nas escolas públicas de alunos oriundos da rede privada. O cidadão fez sua parte e cortou despesas até não poder mais. Chegou a hora de o governo fazer o mesmo, em vez de transferir a responsabilidade para o andar de baixo.