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Mais uma greve evitável


O calendário oficial de 2016 se estabelece com todos os eventos previstos e programados anualmente. Passadas as festas de reveillon, veio o carnaval e, agora, como já era previsto, é a vez da greve dos motoristas e cobradores de ônibus do transporte coletivo. É um acontecimento que se repete todo início de ano, causando transtornos a cerca de 300 mil passageiros que utilizam esse serviço diariamente.


Não entro aqui no mérito da greve, nem nos motivos que levaram a categoria a deflagrar o movimento. Com inflação em alta, é mais do que natural que os empregados reivindiquem melhorias salariais, além de mais segurança e conforto no trabalho.  O problema é que, embora atrapalhe a vida de toda a cidade, os que administram e operam o sistema permitem que a greve aconteça anualmente, cientes das dificuldades que ela vai causar, para só então entrarem em um acordo.


O sistema de transporte público de Teresina depende basicamente dos ônibus, já que o trem apelidade de metrô funciona precariamente e trasnporta poucas pessoas dentro do universo da população de 800 mil habitantes. Quem não possui transporte próprio depende mesmo dos 442 ônibus que circulam pela capital. O acordo é que, durante a greve, os motoristas coloquem em funcionamento pelo menos 30% da frota, como determina a lei. A STRANS cadastrou veículos particulares para tentar minimizar o problema. Mas é insuficiente. Hoje cedo, as paradas estavam lotadas e os passageiros já contavam com o atraso que sofreriam para chegar ao trabalho ou à escola.


É justamente por conta de um transporte público desconfortável e ineficiente que o sonho de consumo de todo teresinense é comprar um veículo. E o resultado são ruas superlotadas de carros e motocicletas tentando arrumar espaço em um trânsito congestionado e caótico. Os que dependem dos ônibus para se locomover pagam caro, levando em consideração a média salarial do teresinense, e ainda sofrem esse tipo de transtorno que poderia, e deveria, ser evitado.