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Lava-Jato chega à família de Lula


Este verão não ficará marcado apenas pelas famosas águas de março, mas, principalmente, pelo terremoto político que sacudiu Brasília ontem, com o vazamento da delação ainda não autorizada do ex-líder do governo, Delcídio do Amaral; e hoje, com a deflagração da 24ª fase da operação Lava-Jato, que chegou à casa do ex-presidente Lula e do Instituto Lula.


A Polícia Federal amanheceu o dia cumprindo mandado de busca e apreensão no apartamento do ex-presidente e maior líder do Partido dos Trabalhadores. Lula será conduzido coercitivamente a  prestar depoimento. Ao todo são 44 mandados judiciais que envolvem não apenas Lula, mas também a mulher dele, Marisa Letícia, filhos, nora, o Presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e a assistente particular do ex-presidente.


A temperatura está elevadíssima em Brasília e no resto do país. Oposição e militantes petistas, ainda atônitos, começam a ensaiar as primeiras reações. De uma certa forma, já havia o temor de que as investigações acabassem atingindo Lula por conta da reforma do apartamento em Guarajá e do sítio em Atibaia, que Lula continua dizendo que não lhe pertecem. Mas a Polícia Federal não está convencida das explicações prestadas até agora pela defesa de Lula e segue investigando a participação da OAS e do pecuarista José Carlos Bumlai nas reformas dos dois imóveis. A suspeita é de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro oriundo do petrolão.


O útlimo acontecimento de tamanha repercussão ocorrido no Brasil foi o impeachment do ex-presidente Fernando Collor. Agora, outra vez, os brasileiros acompanham denúncias envolvendo o alto comando do país. Sim, porque mesmo afastado do Planalto, Lula continuava a exercer sua influência sobre o mandato da Presidente Dilma. É só recordar a queda do Ministro Joaquim Levy.


Os desdobramentos dessa manhã nebulosa de sexta-feira são imprevisíveis. Podem servir de combustível para as manifestações programadas para o próximo domingo pelo movimento Vem pra Rua. Mas também acordará a militância petista disposta a defender seu líder. O Congresso continuará em letargia, por esta e outras razões, como o indiciamento do seu presidente, Eduardo Cunha. E, enquanto isso, o país continua à deriva, afundando na pior recessão dos últimos 20 anos.