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Não à intolerância

                       
É preocupante o rumo tomado pelos manifestantes favoráveis e contrários ao ex-presidente Lula após a última sexta-feira, quando, cumprindo a um mandado de condução coercitiva, prestou depoimento em uma sala da Polícia Federal no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A 24ª fase da Operação Lava Jato cumpria mais uma etapa ao ouvir o ex-presidente para dar explicações sobre o apartamento do Guarujá e o sítio em Atibaia. Mas os militantes petistas não entenderam assim. Para a militância estava havendo a violação de uma imagem quase sagrada para eles.


Desde a eleição passada, os ânimos ficaram muitos acirrados entre situação e oposição. As redes sociais tornaram-se uma espécie de coliseu moderno, no qual os gladiadores midiáticos passaram a xingar uns aos outros, de forma bastante agressiva. Era o primeiro sinal de uma batalha que tenderia a se intensificar nos meses seguintes com o desenrolar das ações de investigação da Operação Lava Jato.


Pessoas aparentemente instruídas e civilizadas despem-se dos seus bons modos e adotam posturas extremistas, radicais, violentas até. Nessa arena de discussão, o bom senso e os argumentos passam longe, abrindo espaço para uma troca de insultos insana.


Pois a luta travada nas redes sociais ganhou as ruas, em um espetáculo deprimente de violência. É muito perigoso que em um estado democrático de direito, expressão tão usada pelos líderes em seus discursos de palanque, haja uma convocação para a queda de braço nas ruas e, até mesmo, de  luta armada, como citaram alguns manifestantes mais exaltados.


Definitivamente, depois de conquistarmos um mínimo grau civilizatório, não podemos mais permitir que se instale um faroeste urbano nas avenidas e praças do Brasil pela simples discordância das decisões judiciais. Os fóruns institucionais existem para resolver as reclamações e insatisfações de quem se julga prejudicado. O fortalecimento das instituições, alías, é uma das maiores conquistas da democracia, pela qual muitas pessoas lutaram e que não pode ser comprometido por quem acha que a força bruta ainda vale mais que a justiça.