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O Brasil que emergiu das ruas


O Brasil amanheceu hoje ainda contabilizando as manifestações de ontem, realizadas de norte a sul do país, pedindo um novo modelo de governo, com mais transparência e menos corrupção. O apoio à Operação Lava Jato e ao trabalho do juiz Sérgio Moro é inequívoco. As diversas faixas e cartazes exibidos ontem deixaram isso bem claro.


A grande pergunta agora é sobre o que vai acontecer com o governo da presidente Dilma Rouseff daqui pra frente. Até agora, é como se a administração dela não tivesse iniciado de fato. Desde janeiro do ano passado, a presidente vem se ocupando em dar explicações sobre denúncias de corrupção, fazer acomodações políticas no seu ministério e tentar apagar as chamas dos escândalos que surgem aqui e ali.


O protesto de ontem não se limitou apenas ao território brasileiro. Manifestantes  foram às ruas também na Argentina e nos Estados Unidos com o mesmo propósito e a imprensa internacional deu destaque ao que é hoje um dos principais problemas a serem  enfrentados pelo Planalto: a falta de confiança no governo.


Nossa economia vai de mal a pior, com lojas fechando, trabalhadores sendo demitidos e os que ainda mantêm a carteira assinada, sofrendo com a inflação que corrói os seus salários a cada nova compra. Sem confiança, não há investimento. Sem investimento, a economia não cresce. Triste círculo que se fecha na roda da recessão.


Com a grande adesão das ruas, o PMDB encontrou o pretexto que faltava para saltar fora do barco do governo, pressionando mais ainda os que fazem coro pelo impeachment. Este, agora, vai ser o principal tema que ocupará a mente da presidente. Como alternativa, os governistas querem chamar o ex-presidente Lula de volta porque acreditam que, com a presença dele, o governo ficará mais forte, já que veem no ex-presidente uma extraordinária capacidade de liderança e persuasão. Resta saber como as mesmas pessoas que foram pra rua ontem vão receber essa estratégia, caso ela venha a se confirmar.