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O país está sangrando

Segue tenso o clima no Brasil, após mais um dia de revelações das escutas obtidas a partir do grampo do telefone que era utilizado pelo ex-Presidente Lula. Em Brasília, o caldeirão chega à temperatura máxima, dentro e fora do Congresso. No gramado, manifestantes não arredam o pé, e pedem a saída da Presidente Dilma Rousseff, agora ainda mais isolada. No plenário, governistas e oposicionistas batem boca e trocam acusações.

 

Aproveitando a fragilidade política do governo, o Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, conseguiu colocar em votação a comissão especial que vai avaliar o pedido de impeachment de Dilma. O relator, deputado Jovair Arantes (GO),  é tido como aliado de Cunha. Foi dado início ao processo, que ainda deve estender-se por vários meses. Até lá, qualquer que seja o desfecho, o governo segue sangrando.

 

De igual forma, sangra o país, atordoado ao tomar conhecimento sobre como e com que finalidade as decisões são tramadas em Brasília. Pior que isso, no auge da crise, com um processo de impeachment em curso, não há o menor clima para votar qualquer projeto que venha a tirar o Brasil de uma outra crise: a econômica. E assim, uma alimenta a outra. Ajuste  fiscal, reforma da previdência, nada disso terá espaço nos próximos meses na pauta do Congresso.

 

Enquanto isso, no país real, trabalhadores perdem seus empregos, empresários fecham as portas dos seus estabelecimentos e os assalariados veem seu  poder de compra diminuir a cada visita ao supermercado.  Já nem se fala mais no combate ao mosquito transmissor do zica vírus. Não que a ameaça dele tenha diminuído. É que agora, uma outra ameaça, maior ainda, assombra o país: a da governabilidade.