Cidadeverde.com

Serra da Capivara pede socorro

 

O Parque Nacional da Serra da Capivara é, sem dúvida, um dos maiores, senão o maior, patrimônio do Piauí. Localizado na região de São Raimundo Nonato, no sul do Piauí, o parque reúne um riquíssimo acervo arqueológico com provas da presença do homem no continente há cerca de 50 mil anos. O trabalho de escavação das riquezas rupestres sob forma de pinturas e objetos utilizados pelo homem pré-histórico leva a assinatura da arqueóloga Niéde Guidon.

Com o esforço próprio dos obstinados, a arqueóloga desenvolveu ali um trabalho fantástico, trazendo à tona o tesouro que estava escondido nas pedras e cavernas do lugar. Fundou e mantém o Museu do Homem Americano, um belo espaço que guarda parte do acervo e que traz informações imprescindíveis para a compreensão da chegada do homem ao continente americano.

O parque foi declarado patrimônio da humanidade pela UNESCO, tamanha a sua importância e beleza. Mas o título não foi suficiente para garantir a conservação do tesouro lá encravado. A presença constante de caçadores na região, a prática de queimadas e outras ações predatórias comprometem a sobrevivência do parque. Durante os últimos anos, Niéde Guidon vem lutando bravamente para manter esse patrimônio vivo. Mas começam a faltar-lhe as forças e, também, o dinheiro para continuar essa luta em defesa do lugar.

Sem recursos, não há como manter o parque e o trabalho de conservação desenvolvido por ela a duras penas. Nosso valioso tesouro, que bem poderia ser fonte de atração de turistas do Brasil e do mundo inteiro, está comprometido e ameaçado. Há bastante tempo, Niéde Guidon vem denunciando o descaso com aquele tesouro arqueológico.

Sensibilizada, a justiça federal determinou o repasse de R$ 4,493 milhões ao Parque. Mas, absurdamente, o ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - está questionando a decisão judicial. Desse jeito, fica difícil pensar em preservação. O parque não pode prescindir de recursos para manter o lugar funcionando, no entanto, quem deveria protegê-lo parece lutar em sentido contrário.