Cidadeverde.com

Fraude no programa de reforma agrária pode chegar a R$3 bi

A sucessão de escândalos e notícias sobre corrupção que inunda o país nos últimos tempos é tão grande que corre-se o risco de deixar que algumas passem despercebidas ou não mereçam a atenção devida. É o caso da fraude descoberta pelo Tribunal de Contas da União no programa de reforma agrária.

Os auditores descobriram que cerca de 600 mil pessoas receberam terras ilegalmente. Nesse contingente, incluem-se empresários, políticos, servidores públicos e, pasmem, até mortos. O prejuízo estimado chega a R$ 3 bilhões e alcança praticamente um terço do total atendido pelo INCRA.

É mais um cano da administração pública por onde escorre a sangria dos recursos públicos, destinados de forma desonesta para alguns favorecidos em detrimento das famílias que realmente necessitam de um pedaço de terra para plantar e dela tirar sua subsistência. A reforma agrária, é bom lembrar, sempre foi uma bandeira de luta dos movimentos sociais. Era o estandarte de uma política de combate às desigualdades sociais e promoção  da melhoria de vida de camponeses que não tinham um pedaço de terra.

É vergonhoso ver que a corrupção enraizou-se na cultura dos órgãos públicos, não poupando sequer os setores que deveriam atender os mais carentes. Ainda bem que em meio a esse lodaçal em que se meteu a administração pública, ainda existem instituições fortes, formadas por técnicos competentes e independentes, como provaram agora os auditores do TCU. Diante do trabalho constatado pela auditoria, o órgão determinou a suspensão imediata do programa. A transparência continua sendo o melhor antídoto contra a malversação dos recursos públicos. E a imprensa tem papel fundamental nesse processo.