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Um país dividido

Por mais negativas que fossem as previsões, o governo não imaginava um placar como o de ontem. A derrota por onze votos na comissão que analisou o parecer para dar prosseguimento ao impeachment da Presidente Dilma acendeu a luz vermelha no Planalto. O grande temor é que os indecisos, ao perceberem a tendência de aprovação do processo, resolvam acompanhar a maioria para não se indispor com os eleitores.

O embate está sendo corpo a corpo, ou voto a voto. Afinal, o que está em jogo é um mandato presidencial. Além da concessão de cargos e verbas, o governo se articula para mobilizar os movimentos sociais como MST e UNE, a fim de engrossarem o discurso de que o impeachment é golpe. Mas fica difícil o PT usar esse argumento porque o partido foi um dos que estavam na linha de frente para aprovação do impeachment do então presidente Collor, hoje aliado do governo.

O PMDB, interessado em assumir a cadeira presidencial, já preparou até o discurso, e em uma derrapada política, divulgou nas redes sociais, o que reforçou a ideia de conspiração por parte de quem se elegeu na mesma chapa que a presidente. Tempos difíceis, em que aliados viram adversários e ninguém confia em ninguém.

As claques já estão se formando em Brasília, devidamente separadas por uma barreira física para evitar confrontos mais graves. Mas, a essa altura, o país já está completamente dividido entre os contra e os favoráveis. E essa divisão, infelizmente, vai além dos argumentos saudáveis de uma discussão civilizada. Entre acusações de “coxinhas” e “petralhas”, amigos e até parentes se desentendem porque a paixão política se sobrepôs à razão política. E os interessados no cargo presidencial utilizam muito bem as emoções que estão pulsando nas ruas para o proveito próprio. Bom mesmo seria se houvesse alguém cuja temperança e sabedoria estivessem acima do fogo das paixões e vaidades políticas para planejar um Brasil melhor, com estabilidade financeira, recuperação da confiança e desenvolvimento social.