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O cenário político pós-impeachment

O país amanheceu ressacado, depois da longa votação de ontem, que aprovou a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.  Foi um teste para medir forças entre governo e oposição. Por 367 votos a 146 ( 25 a mais que o mínimo necessário), a oposição conseguiu dar sequência ao rito de impedimento de Dilma. O governo ficou decepcionado com a votação abaixo do esperado.

A partir de agora, todo o esforço do Planalto está concentrado em reverter essa derrota no Senado. Não será uma tarefa fácil, tampouco impossível. Enquanto Dilma e Lula jogarão com todas as cartas que só quem tem a caneta do poder dispõe, Michel Temer e seus aliados tentarão convencer os senadores com a perspectiva de poder futuro.

É um momento de redefinição das forças políticas, que mexe com cargos e verbas. Aqui mesmo no Piauí, o economista Felipe Mendes já deixou a direção da Codevasf. Marcelo Castro também se afastou do Ministério da Saúde, a princípio para votar contra o impeachment, mas já sabendo que não deve voltar à cadeira de ministro. Os que procuram espaço na administração federal já começam a rodear Michel Temer para saber o que ele tem para oferecer.

Caso o processo de impeachment seja aprovado também no Senado, será a primeira vez que o governador Wellington Dias administrará o Estado  sem o respaldo do governo federal. Em 2002, quando foi eleito pela primeira vez, Wellington tomou posse junto com Lula, que assumia o primeiro mandato de presidente naquele ano.  

Um nome piauiense que deverá entrar em ascensão com o possível impeachment da presidente é o do ex-ministro João Henrique de Almeida Sousa, amigo pessoal do vice presidente, Michel Temer. No entanto, começam a circular em Brasília os rumores de um pedido para convocação de eleições presidenciais, que seriam realizadas junto com as eleições municipais em outubro deste ano. É um novo cenário que se vislumbra, já que a rejeição de Dilma também é acompanhada pela de Michel Temer e de Eduardo Cunha. Em qualquer dos cenários, o Brasil acorda diferente nesta segunda-feira.