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Governo em transição

O mês de abril chega ao fim deixando memórias amargas para o governo. Em um rito acelerado, a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma foi aprovada na Câmara por uma folga maior que a imaginada pelos aliados do Planalto. A presidente saiu acabrunhada e ainda pensou em  reagir com um discurso na ONU, acusando o processo de golpe, no que foi prontamente desestimulada por assessores e pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, que vieram a público declarar que o processo estava previsto na Constituição e obedecia a normas legais.

Com o crepúsculo do seu governo se aproximando, já que a votação no senado está prevista para o dia 11 de maio, não há mais muito o que fazer. É como se o atual governo já não existisse. Perdeu força, poder e credibilidade. Ainda há os que a aconselham a sair pelo país e também pelo exterior pregando que foi vítima de injustiça e que não há motivos para apeá-la do cargo. Mas isso de pouco adiantará.

Pela movimentação de carros que entram e saem nos jardins do Palácio do Jaburu, quem dita as cartas agora é Michel Temer, que já age como  presidente de fato. Escolhe ministros, define metas e afina propostas de governo, além de conversar com políticos de diferentes partidos. Ele sabe que precisa consolidar uma forte aliança política para enfrentar tempos difíceis que virão pela frente. Habilidoso na arte de conversar e costurar acordos, o ainda vice-presidente está fazendo o que sabe e gosta de fazer, atributo que faltou à sua companheira de chapa.

O PT, conforme havia prometido, já colocou sua tropa de choque nas ruas. Ontem, integrantes do MTST ( Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) bloquearam  rodovias em oito estados e no Distrito Federal em protesto contra o impeachment e o eventual governo Temer. Resta saber até quando eles terão fôlego e financiamento para continuar empunhando uma luta que já sabem perdida.

A sociedade brasileira e o mercado precisam de respostas rápidas para que o país volte a funcionar, com a retomada do crescimento, a queda da inflação e a volta dos empregos perdidos nos últimos meses. Se Temer conseguirá essa façanha em tão curto prazo e sob forte pressão, só o tempo dirá.