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A conta paga com o chapéu alheio

É preocupante a situação de beligerância criada entre a Presidente da República e seu vice, Michel Temer, no momento em que se aproxima uma possível transição de cargo de um para o outro. Todo o processo de impeachment de Dilma foi extremamente traumático.  A Presidente e o  Partido dos Trabalhadores se recusam a aceitar o encaminhamento dado ao processo e tentam resistir até o último instante. A votação para aceitação do pedido no senado está marcada para o próximo dia 11. Faltam, portanto, apenas nove dias.

O problema é o que pode acontecer nesse pouco tempo. Em ato promovido ontem pela Central Única dos Trabalhadores – CUT, em São Paulo, durante as comemorações pelo Dia do Trabalho, a Presidente anunciou o reajuste do Bolsa-Família e a correção na tabela do imposto de renda. O aumento médio para o programa Bolsa-Família prometido pela atual gestão foi de 9%.

Ocorre que essa é uma conta que deverá ser paga pelo próximo governo, caso o senado realmente aceite o pedido de impeachment, o que pelas contas até do próprio Planalto, é o cenário mais provável. Com isso, Dilma seria afastada imediatamente por 6 meses até o julgamento do mérito do pedido. Uma vez afastada, a situação da atual Presidente fica ainda mais difícil. E é por isso que Michel Temer já desfila com a desenvoltura de chefe de governo, compondo sua equipe e montando suas metas administrativas.

Entre essas metas, a mais importante é a fiscal. O governo está com um rombo  estimado no orçamento para o próximo ano de  R$ 65 bilhões. Para os economistas, esse número pode chegar a R$ 119 bilhões. A economia está em colapso e Temer tem consciência de que terá que dar uma resposta imediata a esse problema, já que a crise econômica, uma das piores enfrentadas pelo Brasil, teve grande responsabilidade para formar um clima político favorável ao pedido de impeachment de Dilma.

Enquanto Temer quebra cabeça com Henrique Meirelles, indicado para ser o futuro ministro da Fazenda, no sentido de ajustar as contas públicas, Dilma anuncia um aumento no Bolsa-Família. Para a oposição, esse aumento não passa de uma tentativa de inviabilizar a futura administração. Líderes do PT já disseram publicamente que vão infernizar a vida do atual vice, caso ele venha a assumir a Presidência. Pelo visto, já começaram a fazê-lo.