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A última cartada de Cunha

A quinta-feira começou com uma notícia há muito já esperada por todos os brasileiros. O próprio deputado Eduardo Cunha já tinha consciência de que seu afastamento da Câmara Federal era questão de dias. Ele até que conseguiu se segurar por muito tempo, o bastante para dar andamento ao seu plano de vingança e aprovar no plenário da Casa que comandou até ontem o pedido de admissibilidade do processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff.

Hoje, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, determinou o afastamento de Eduardo Cunha do mandato de deputado federal, acatando um pedido feito pela Procuradoria Geral da República, que cita onze motivos para tirar a cadeira de Cunha. São ações praticadas pelo então presidente da Câmara Federal para impedir as investigações da Operação Lava-Jato.

Eduardo Cunha já é réu no Supremo Tribunal Federal pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, sob a acusação de receber U$ 5 milhões como propina de um contrato de navio sonda da Petrobrás. O parlamentar é um dos mais experientes e conhecedores do regimento interno da Casa. Sob seu comando, a Câmara aprovou tudo que ele quis, com a rapidez ou demora calculada de acordo com seu interesse pessoal.

Para a oposição, ele foi bastante útil no processo de votação do impeachment de Dilma. Alguns deputados chegaram a dizer que deviam a ele a aprovação do pedido na Câmara. Cunha sabia que iria sair, mas antes fez o que considerava sua última missão. Neste momento, os brasileiros começam a se perguntar se, de fato, o país está passando por um momento de depuração, com a renovação dos seus quadros políticos. Seria ingênuo demais acreditar nisso. Na verdade, todo esse processo está ocorrendo porque houve uma ruptura entre os aliados de outrora. Quando os interesses entram em conflito, um tenta derrubar o outro a qualquer custo para não cair sozinho. Tivessem eles entrado em acordo e não estaríamos assistindo a nada disso que está acontecendo no Brasil.