Cidadeverde.com

Do baixo clero ao alto circo

O dia ontem foi marcado por um festival de trapalhadas e desencontros. Logo cedo, o inexpressivo presidente interino da Câmara Federal, Deputado Waldir Maranhão (PP), surpreendeu o Brasil e o mundo com a decisão monocrática de anular as sessões plenárias dos dias 15, 16 e 17 de abril, que deliberaram sobre a denúncia do crime de responsabilidade e pela abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Para tomar essa decisão, Maranhão não ouviu a Mesa Diretora nem qualquer um dos seus colegas parlamentares. Seus conselheiros foram o Advogado Geral da União, José Eduardo Cardozo, e o governador do Maranhão, estado de origem de Waldir, Flávio Dino. Sabe-se lá a que preço Waldir Maranhão emprestou a sua assinatura para um ato sabidamente sem validade, que só serviu para aumentar ainda mais o clima de instabilidade política do país. Os efeitos econômicos e políticos foram imediatos: o dólar disparou e a bolsa caiu. Lá fora, repercussão em todos os grandes jornais.

Aqui, a reação veio em cascata com a força de um tsunami. Os deputados ficaram indignados por terem sido desrespeitados e o ameaçaram com a expulsão do partido e até a perda do mandato. Rapidamente, descobriu-se que o filho de Waldyr acumulava contracheques nos estados do Maranhão e de São Paulo. Perdeu imediatamente a boquinha do estado de origem, já que reside em São Paulo.

Brasília ferveu. Mas o presidente do Senado, Renan Calheiros, não levou em conta o ato do presidente interino da Câmara e deu prosseguimento à sessão com os demais senadores. Mais que isso: disse em alto e bom som que a medida era intempestiva e representava uma brincadeira com a democracia. Vendo que o tiroteiro partia de todo lugar contra ele, no início da madrugada o deputado Waldir Maranhão tratou de revogar o próprio ato, entrando para a história como um interino trapalhão que, por um dia, conseguiu tumultuar ainda mais o já conturbado cenário político brasileiro.