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A pressão sobre o novo governo


Depois de mais de 20h de uma sessão exaustiva, os senadores votaram agora pela manhã, por volta das 6h30, o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que é afastada imediatamente das funções até o prazo final de 180 dias ou do julgamento do mérito.


Oposicionistas, e até mesmo os governistas, já sabiam que o pedido seria aprovado. O que o Planalto temia era justamente o placar registrado no painel eletrônico. 55 votos favoráveis e 22 contra. O presidente do Senado, Renan Calheiros, não votou. O temor justifica-se porque para o julgamento do mérito são necessários 2/3 dos votos, que num total de 81 senadores, equivale exatamente a 54 votos. Hoje, a oposição obteve mais que dois terços.


O governo já se manifestou por diversas vezes dizendo que vai lutar até o fim para tentar recuperar o mandato de Dilma, uma tarefa que, se já era difícil, ficou mais complicada ainda depois do resultado de hoje. A oposição, por outro lado, ganha fôlego com a expressiva maioria obtida.


Michel Temer torcia por um placar acima de 54 votos para assumir a presidência com a confiança de que não será um mandato interino de apenas seis meses. Na contabilidade dele, os votos somados hoje são uma sinalização da futura votação. No entanto, ainda há muito o que ser feito no trabalho de acomodação dos partidos na composição do seu ministério. E os descontentamentos já começam a aparecer.


No atual sistema político brasileiro, os governantes são reféns do parlamento. Criou-se uma cultura fisiologista que, ou concede-se cargos e vantagens sem fim, ou os partidos viram as costas, comprometendo a governabilidade. Esta é a fonte da corrupção. E foi o que levou aos escândalos do mensalão e do petrolão. Se Temer ceder na proporção em que está sendo chantageado, seu governo já nascerá comprometido.