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E agora, Brasil?

O Brasil vive um novo momento, com muitas expectativas sobre o que vai acontecer daqui pra frente sob a gestão do presidente interino, Michel Temer. Ele assumiu a Presidência  e ainda ontem nomeou a sua equipe de governo. Na composição dos nomes, poucas surpresas. Para conseguir o apoio dos diversos partidos no Congresso, Temer fez mais um ajuntamento de políticos do que propriamente uma seleção de notáveis.

Três dos ministros indicados ( Romero Jucá, Planejamento; Henrique Alves, Turismo; Geddel Vieira Lima, Governo) são figurinhas carimbadas e também investigadas pela temida Operação Lava Jato. Para o ministério do Meio Ambiente, o atual presidente resgatou um membro do clã dos Sarney, sempre presente em qualquer equipe de governo, sem oferecer nada de novo. Outro filho de político tradicional que ocupa sua cota é Hélder Barbalho, no ministério da Integração Nacional. Esses nomes dão uma cara de dèja vu ao governo que acaba de iniciar.

A esperança está na equipe econômica, comandada pelo experiente Henrique Meirelles, o nome técnico que pode trazer solução para o principal problema que afeta hoje os brasileiros. Equacionar as contas públicas é um desafio complicado e delicado, que vai demandar não só competência, como coragem e diálogo para fazer o que é necessário. Algumas medidas serão amargas e, para isso, Temer dependerá do Congresso. Daí a explicação para ceder às exigências dos partidos, mais preocupados com cargos do que com o país.

O novo Presidente, no entanto, é homem de articulação e tem vocação para conversar com os parlamentares, habilidade que faltou à presidente afastada, Dilma Rousseff. No seu discurso de posse, Temer sinalizou como pretende conduzir o Brasil: mantendo os programas sociais, saneando as contas públicas e construindo a base para a recuperação econômica. Fez questão, ainda, de manifestar apoio à Operação Lava Jato. E é importante que tenha falado a respeito disso porque o Ministério Público, a Polícia Federal e, sobretudo, o povo brasileiro não aceitarão qualquer tipo de retrocesso no trabalho de investigação e combate à corrupção. Do contrário, a Nação voltará às ruas para protestar outra vez.