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O drama da falta de leitos de UTI

A última edição da Revista Cidade Verde, nas bancas desde sábado, traz uma extensa reportagem sobre o drama vivido pelos pacientes do Piauí por conta da falta de leitos de UTI- Unidade de Terapia Intensiva. Ontem à noite, o programa Fantástico também deu destaque ao problema, que não é só dos piauienses, mas de todos os brasileiros.

O custo para implantar e manter uma UTI é alto. A instalação fica em torno de R$ 100 mil, já o custo diário para mantê-la funcionando varia entre R$ 1.500 a R$ 3mil. Esta é, em parte, a explicação para um déficit crônico desse tipo de leito, indispensável para pacientes recém-operados ou de alta complexidade. A falta de uma vaga de terapia intensiva ou a demora para consegui-la pode levar o paciente à morte. E isso tem acontecido com uma frequência acima do suportável.

A espera por uma vaga leva à formação de uma fila impiedosa, na qual pacientes e familiares sofrem com a angústia de não saberem se vão, ou não, conseguir ser atendidos a tempo. No Piauí, a rede pública hospitalar disponibiliza 142 leitos de UTI, quando o recomendado seria 960, ou, no mínimo, 320, segundo a médica intensivista Patrícia Mello, membro da Associação de Medicina Intensiva Brasileira.

Além de sofrerem o dilema de ter que escolher quem tem mais chances para viver entre os muitos pacientes que precisam ir para a UTI, a escassez de leitos nesse setor leva os profissionais de saúde a enfrentarem outro problema: a judicialização da medicina. Desesperados diante da iminência da morte de um parente, alguns familiares recorrem à justiça. E o que acaba acontecendo é que o juiz obriga o médico a abrir uma vaga, mesmo quando ela não existe, o que significa que o médico tem que tirar um outro paciente, às vezes em estado mais grave, para receber o paciente encaminhado pelo juiz.

Depois de sucessivas manifestações do Conselho Federal de Medicina e do Ministério Público, os Governos estadual e municipal anunciaram a criação de novos leitos: 158 ao todo. Não irá resolver, mas ajudará bastante a aliviar a pressão existente hoje nessa área. Cabe à sociedade, e também ao MP, acompanharem a execução dessas obras para que sejam realizadas dentro do menor espaço de tempo porque, afinal, saúde é coisa séria e, em se tratando de UTI, é também grave.