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Previdência: a conta que não fecha

O governo federal está com grande dificuldade em equilibrar as contas públicas. O abismo é bem maior que o imaginado e pode levar o país à uma paralisia catastrófica. Um dos maiores gargalos, sem dúvida, está na previdência social, cujo rombo previsto para este ano é próximo de R$ 200 bilhões.

Graças ao aumento da expectativa de vida, a população brasileira está envelhecendo e isso faz com que a balança comece a pesar desfavoravelmente para o pagamento das aposentadorias. Do jeito que as coisas vão, estamos caminhando para a inviabilidade do pagamento das aposentadorias no futuro, o que seria um desastre total. Mas do jeito que está hoje, as contas simplesmente não fecham porque tem mais gente recebendo do que contribuindo.

O Planalto está preocupadíssimo com essa questão e já se reuniu com os dirigentes das centrais sindicais para tentar fechar um acordo em torno do projeto de reforma da previdência. A iniciativa de dialogar com a classe trabalhadora é positiva, não se sabe é se as partes chegarão a um acordo.

O Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já sinalizou que simpatiza com a idade mínima de 65 anos para aposentadoria de homens e mulheres. As centrais sindicais batem o pé para que seja estabelecida a regra de transição, a fim de preservar os direitos já adquiridos. Até que a reforma seja votada, e isso tem que acontecer rapidamente, ainda vai haver muita confusão. Na hora de mexer em direito trabalhista, todo mundo levanta a voz para não perder seus privilégios. É da natureza humana. Mas o Ministro alega que pior é pagar e não ter a garantia de receber os seus direitos no futuro.

Hoje, as despesas com beneficiários do Regime Geral da Previdência Social –RGPS atingem 7,4% do PIB. As estimativas apontam que podem chegar a 17,2% em 2060, ou seja, está ficando totalmente insustentável e, para que isso não aconteça, o governo vai ter que meter a mão nesse vespeiro.