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O perigo representado por Jucá

Mais do que grave, é gravíssimo o teor da ligação do Ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR) com o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, em março passado. Na ligação, os dois mostram-se extremamente preocupados com o rumo das investigações da Operação Lava Jato e Romero diz que é preciso articular uma ação política para “estancar a sangria” da operação. Eles falam abertamente sobre a necessidade de um pacto com o Supremo Tribunal Federal, a fim de evitar que o processo “desça” para as mãos do juiz Sérgio Moro, em Curitiba.

A conversa aconteceu pouco antes da votação do processo de admissibilidade do impeachment de Dilma na Câmara dos Deputados. Acontece que o impeachment não pode ser usado como instrumento para acobertar desvio de dinheiro e corrupção de governantes e parlamentares. Ao contrário. O combate à corrupção foi justamente um dos motes que levaram os brasileiros às ruas para pedir um novo governo e um novo tempo de moralidade no país.

Michel Temer assumiu com o discurso de que iria dar continuidade à Operação Lava Jato. E nem poderia ser diferente porque a Operação não depende mais de uma decisão do governo. Ela ganhou força e o acompanhamento de toda a nação brasileira, que não aceita mais ver o dinheiro público, tão escasso em áreas essenciais como saúde e educação, ser desviado para os canais sujos dos propinodutos que irrigam as campanhas políticas.

A Lava Jato hoje é maior que o governo, maior que a “república de Curitiba”, maior que a Procuradoria Geral da República e que a própria Polícia Federal. Ela é a síntese do  sentimento da população que sonha com um país sério, justo, ético e honesto, tal qual a maioria dos brasileiros que acordam cedo e saem para o trabalho diariamente.

Para não cair na incoerência do discurso vazio de palanque, o mínimo que o Presidente interino Michel Temer tem de fazer é afastar o Ministro Jucá, que deixou claro na ligação qual a sua intenção dentro do governo. Ele quer abafar a investigação para  evitar novas descobertas de um esquema sujo que sangrou os cofres públicos e que envolve políticos de vários partidos, inclusive o PMDB, partido de Jucá.

O Brasil espera uma resposta. E rápida. Pela reação a esse episódio, teremos uma medida de como se comportará o governo de Michel Temer diante de questões delicadas. Não é momento para dúvidas ou indecisões, tampouco para tentar botar panos quentes em assunto tão complexo. Se um dos ministros do eixo central do poder comporta-se dessa maneira e nada acontece, não se pode esperar boa coisa do governo que está começando.