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A ferida que não sara

Ainda nem deu tempo sarar a ferida aberta pelo estupro coletivo seguido de morte em Castelo do Piauí e a sociedade já é surpreendida com outro crime da mesma natureza, dessa vez em Bom Jesus. A adolescente conhecia os cinco adolescentes que a violentaram, o que torna o ato ainda mais bárbaro.

É inaceitável que ainda ocorra esse tipo de violência contra mulheres. A apropriação e o abuso praticados contra o corpo feminino é repugnante, pois viola o templo sagrado de cada pessoa, que é seu próprio corpo. O ato sexual só pode existir quando há vontade e consentimento de ambas as partes, do contrário torna-se um crime e, como tal, deve ser punido com todo o rigor.

Ao longo dos anos, após muitas lutas em defesa dos direitos das mulheres, algumas leis e órgãos de proteção foram criados para dar suporte às vítimas de violência de gênero. Mas elas parecem ser ineficientes ou ineficazes quando se percebe que homens, independente da idade, continuam julgando-se proprietários do corpo feminino.

Cada vez que uma mulher é vítima de estupro ela é ferida de morte em sua dignidade. E não só ela, mas todas as mulheres do mundo, porque é a condição feminina que está sendo atacada e desrespeitada. E, pior ainda, é quando tentam justificar um crime em função do comportamento da vítima ou das roupas que ela usa. Não importa quem seja, ninguém é obrigado a submeter-se à vontade do outro pela força. O repúdio a crimes dessa natureza deve ser veemente para que não volte mais a acontecer.