Cidadeverde.com

Sete anos da tragédia de Algodões

Sete anos. Quase uma década se passou desde o fatídico dia do desastre na barragem de Algodões e até hoje as vítimas imploram pela indenização a que têm direito. Depois de verem suas casas, famílias e propriedades arrastadas pela água numa violência incontrolável, de perderem uma história inteira de vida, de perderem amigos e familiares, ainda resta a dor de não terem sequer o mínimo que deveria ter sido repassado a elas para tentar reparar um dano que não tem preço.

Aquelas famílias receberam a autorização para permanecerem no seu local de moradia com o argumento de que não havia risco de rompimento da barragem. A garantia ruiu junto com a parede de contenção das águas e o que se viu foi um dilúvio, desta vez provocado pela negligência humana. Oficialmente, foram registradas nove mortes. A Associação das Vítimas da Barragem fala em 15 mortes, contabilizando as pessoas que morreram nos dias seguintes, após serem hospitalizadas.

O prejuízo material foi grande; o humano, incalculável. Mas é preciso que haja uma indenização ao sofrimento causado àquelas pessoas. Nem isso, no entanto, elas conseguiram. Sete anos, e nada. Os sobreviventes continuam a humilhante peregrinação em busca do que lhes é de direito. Já sem esperança de receber o que a Justiça determinou, eles concordaram em abrir mão de dois terços do valor acordado para receber apenas um terço, desde que à vista. É pouco, muito pouco.

A tragédia de Algodões não foi uma tragédia anunciada. Ali havia um risco iminente e perfeitamente evitável, mas não o foi. E as famílias seguem carregando dor e prejuízo ao longo dos anos enquanto esperam o reconhecimento de que houve uma falha grave que precisa ser reparada. É um episódio que não pode ser esquecido.