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O crime de Castelo ainda sangra

O julgamento dos três rapazes acusados do estupro coletivo contra quatro meninas em Castelo do Piauí, há um ano, ocorre hoje em sessão fechada no Tribunal de Justiça do Piauí. Mas os olhos da sociedade estarão bem abertos  para este julgamento, na expectativa da decisão dos magistrados.

Foi um crime frio, bárbaro, cruel e hediondo, que feriu para sempre a vida das adolescentes e de suas famílias. Depois de estupradas, elas foram jogadas do alto de um penhasco. Uma delas, de 17 anos, morreu poucos dias após o ato. As sobreviventes seguem marcadas com a dor sem tamanho de uma violência que não tem como ser esquecida.

Além da morte de Danielly, os rapazes, todos menores, são responsáveis ainda pela morte de um dos comparsas que participou do estupro. Ele foi assassinado no complexo onde cumpria pena de restrição de liberdade por ter delatado os demais. Esses homens que se apresentam como meninos são de uma frieza espantosa.

O crime de Castelo chocou o país inteiro. Mas ele continua a ser praticado, seja em Bom Jesus, seja no Rio de Janeiro ou nas demais cidades de um país acostumado a conviver com a impunidade. As mulheres conquistaram independência, educação, mercado de trabalho, chegaram até à Presidência da República, no entanto, ainda são vítimas frequentes de violência sexual. E só deixarão de ser quando os homens que julgam os agressores passem a punir com o rigor necessário que o crime existe. Os julgadores, na sua maioria homens, são também filhos, esposos, pais e irmãos. É bom que pensem nas mulheres de suas vidas antes de proferirem o voto. Pode ser que, assim, esse crime não volte mais a acontecer.