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Não existe almoço grátis

É impressionante como  educação e cultura fazem a diferença na vida de um país. Uma eleição, em particular,  chamou a atenção neste fim de semana. E nem foi para eleger presidente, mas para decidir sobre os gastos de um governo, no caso, o da Suíça. Os suíços foram às urnas no domingo para responder em um referendo se queriam, ou não, receber uma renda básica mensal no valor de 2.500 francos suíços, o equivalente a R$ 9 mil, independente de estarem ou não empregados.

Sabem qual foi o resultado da votação? 77% dos suíços votaram contra a ideia. Apenas 23% responderam sim à facilidade, proposta por meio de uma ação de iniciativa popular. Os suíços, na sua esmagadora maioria, têm a clara noção de que renda e trabalho caminham juntos e que a primeira, isolada, não se sustenta.

Ok, a Suíça é um país atípico. A renda per capita lá é de U$ 59 milhões ao ano e a taxa de desemprego é inferior a 4%. O nível de vida é bem alto, assim como seu custo. Mas o que chama a atenção mesmo é o grau de consciência dos cidadãos ao perceberem que o país não pode, ou não deve, financiar renda aos cidadãos, indistintamente.

Ao tomar conhecimento do resultado do referendo, fiquei me perguntando como seria o resultado se a mesma pesquisa fosse realizada aqui no Brasil. Nem precisa ser bom em adivinhação para saber que o sim venceria com larga vantagem. Infelizmente, entre  nós existe a cultura de conquistar as coisas com facilidade, com pouco ou nenhum esforço, sem a preocupação de saber de onde vem o recurso. Era capaz até de muita gente largar o emprego e passar a viver só com a renda oferecida pelo governo.

Observe que o benefício não seria destinado apenas às pessoas sem renda, e que realmente precisam de um socorro do governo. Mas a todos os suíços, qualquer que fosse sua classe social. É por esse simples exemplo na diferença de mentalidade entre os dois povos que dá para perceber porque um é desenvolvido e rico; e o outro, não.