Cidadeverde.com

A Arena Brasília não para de surpreender

Está difícil reconduzir o país ao estado de normalidade, com Executivo, Legislativo e Judiciário funcionando regularmente dentro das competências de cada um. Há algum tempo, os três Poderes estão investindo todo o tempo e energia de que dispõem no acompanhamento dos fatos que surgem a cada dia envolvendo os mais altos figurões da República.

Já não é comum o afastamento de um Presidente das suas funções por causa de um pedido de impeachment, menos ainda a sequência de denúncias, delações, prisões e demissões que  acontecem a cada dia em uma velocidade assustadora.

Pense bem: depois do afastamento da presidente Dilma, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, também foi afastado. E agora, a Procuradoria Geral da República pede não só o afastamento, mas a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros, do ex-presidente José Sarney, do senador Romero Jucá (já destituído do recém-empossado cargo de ministro por conta de denúncias da Lava-Jato), e do superpoderoso  deputado Eduardo Cunha que, mesmo sem ocupar temporariamente a cadeira de presidente da Câmara, continua a dar as cartas por lá. Todos dos PMDB, partido do presidente interino, Michel Temer, e até ontem, aliado de primeira hora da presidente Dilma.

É até difícil para o cidadão comum acompanhar e entender tanta confusão na arena de Brasília. Nem mesmo uma final de Olimpíada traz tantos lances emocionantes. A diferença é que, neste caso, não há qualquer sinal de glória ou vitória. Pelo contrário, é a expressão da derrota de um modelo político baseado no fisiologismo e patrimonialismo, que se enraizou no poder para obter vantagens à custa de propinas pagas com o dinheiro público.

Quando se olha para o núcleo do poder no Planalto e vê que quase todos os líderes que deveriam estar defendendo os interesses da nação e dos seus cidadãos estão envolvidos em falcatruas e denúncias de corrupção, o sentimento é de desânimo e descrença. Ainda mais por saber que não há novas lideranças políticas despontando no cenário para substituir as que aí estão a dilapidar o patrimônio público e a confiança do povo brasileiro.

Enquanto se vive à espera de quem será denunciado nas próximas delações, o país geme as dores de uma das piores recessões já enfrentadas em sua história. Com o congresso engessado pelo medo do que ainda pode vir à superfície como resultado das sondas da operação Lava Jato, as reformas necessárias e urgentes para a recuperação econômica do Brasil não são votadas. Aliás, nada de positivo acontece. O país está mergulhado não apenas em uma  crise financeira, mas em uma crise moral e política capaz de envergonhar qualquer brasileiro.