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A dor de Orlando também é nossa

No dia da celebração do amor, o ódio tingiu de sangue uma festa onde reinava a alegria. Não há explicação nem lógica para quem cultiva a intolerância, a ponto de tirar a vida de pessoas inocentes que estão simplesmente se divertindo. É um ato brutal que revela o lado mais cruel do ser humano.

No mesmo dia, horas depois, aqui no Piauí, milhares de pessoas enfrentavam um sol causticante para caminhar solidariamente em defesa da vida e contra qualquer forma de preconceito e discriminação. A Caminhada da Fraternidade surgiu em 1995 justamente para vir em socorro dos pacientes do vírus HIV, na época ainda basicamente composto por homossexuais.

São dois lados da reação humana diante da mesma situação. Um, se mobiliza, ajuda, constrói, respeita. O outro, tomado por um fanático solitário, mas que infelizmente representa o pensamento de muitos radicais, age covardemente assassinando sonhos, vidas e planos de quem tem uma vida diferente. Só isso, nada mais.

A intolerância é uma das piores doenças do mundo. Por não ter flexibilidade e compreensão para entender o que é diferente, prefere eliminar tudo que lhe é estranho. É difícil entender como ainda é possível existir sentimentos dessa natureza em pleno século XXI. Se é para ser intolerante, que seja contra a fome, a miséria, a corrupção, chagas que mancham a nossa existência e revelam o fracasso da nossa passagem pelo mundo.

A dor de Orlando é a dor de todos nós, pessoas que acreditam numa sociedade justa, solidária, onde reinem a paz, a igualdade social e a felicidade plena. E não há felicidade possível enquanto o ódio dominar o coração de uma só criatura na face na terra.