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Estupro nunca mais!

A preocupação com a crescente onda de crimes de estupro praticados contra as mulheres chegou ao ápice. No Brasil, e no Piauí, esses casos têm se multiplicado de forma assustadora e precisam de uma providência rápida e enérgica. Dados do Núcleo de Feminicídio da Secretaria de Segurança do Estado revelam que as ocorrências de violência contra mulheres em Teresina superam em 14% o percentual de casos de acidentes de trânsito nas ruas da cidade. Nas palavras da subsecretária de segurança pública, Eugênia Villa: “As mulheres estão correndo mais risco dentro de casa do que nas ruas.”

Ontem, uma comissão de deputados federais foi à Assembleia Legislativa para discutir o problema e buscar soluções para pôr fim a esse crime hediondo que fere a dignidade das mulheres. Mas a discussão que deveria acontecer com autoridades e a sociedade civil organizada foi interrompida por um protesto político comandado por mulheres, justamente quem deveria ter maior interesse em resolver o problema. Lastimavelmente, a ideologia partidária se sobrepôs a uma questão extremamente grave que deveria ser a prioridade do dia.

O estupro é um ato bárbaro que deixa marcas no corpo e na alma da vítima. Por isso mesmo, foi regulamentado como crime há 74 anos no Brasil. Agora, com a internet, ele ganhou contornos mais cruéis porque passou a ser divulgado na rede mundial de computadores, expondo a vítima de uma forma abusiva e desumana. Além da dor que carrega consigo, a mulher que sofre estupro ainda está carregando o estigma de ser apontada como “aquela que foi abusada”. Comentário normalmente acompanhado de opiniões machistas que buscam culpar a vítima de qualquer maneira, seja pela roupa que usam ou pela bebida que consomem, como se isso fosse justificativa para que alguém pudesse ser violentada.

O problema não é só da vítima ou da sua família, mas de toda a sociedade. Cada vez que uma mulher é agredida e desrespeitada, todas nós somos feridas na nossa condição feminina. Portanto, não podemos ficar omissas ou fingir que o problema não é conosco. O problema é nosso e dos homens também, já que eles são filhos, irmãos, pais, amigos, namorados e esposos de mulheres e devem se aliar a nós no combate a esse crime hediondo.