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A cultura da corrupção ou corrupção na cultura

A fraude descoberta na utilização da Lei Rouanet, em São Paulo, acende um alerta para a transparência na aplicação desse mecanismo criado para incentivar a cultura. A ideia é boa, o problema é o mau uso da Lei decorrente da falta de fiscalização. Infelizmente, no Brasil, mesmo a melhor das intenções acaba funcionando como uma janela para falcatruas .

Estimular as empresas privadas a investirem em cultura, com a dedução dos recursos  aplicados no imposto de renda, foi a alternativa encontrada para que artistas e produtores culturais pudessem ter um apoio financeiro em suas obras e/ou apresentações. Só que a cultura da corrupção sempre arruma um jeitinho de se aproveitar do Estado, reconhecidamente incompetente para administrar e fiscalizar o que ele mesmo cria.

Resultado: o dinheiro que deveria ser aplicado na promoção de eventos e shows populares, na verdade, estava financiando apresentações privadas em empresas e até festas de casamento. Ninguém  pode ser ingênuo ao ponto de achar que este foi um episódio isolado do estado de São Paulo. Os oportunistas existem em todo lugar, prejudicando a boa fé e o trabalho sério de quem realmente recorre à Lei Rouanet para obter patrocino para a cultura.

Já que o Estado brasileiro mostra-se conivente, ou no mínimo incompetente, para manter o controle desse fluxo de recursos, bom mesmo é que os próprios artistas que estão pleiteando os benefícios legais fiquem de olho em quem está passando à frente. O controle social, mais que nunca, é fundamental para garantir a seriedade na administração dos recursos públicos.