Cidadeverde.com

O efeito colateral da Lava Jato

A  semana começou com mais uma ação implacável da Polícia Federal, denominada de Operação Abismo, uma nova etapa da Lava Jato, que apura o pagamento de R$ 39 milhões em propina durante a construção  do centro de pesquisas da Petrobras no Rio de Janeiro. O alvo é o ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, preso desde o dia 23 de junho, em outra operação, denominada Custo Brasil, a mesma que prendeu o ex-ministro Paulo Bernardo.

Nesta manhã, a ação se desenvolve nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal, com quatro mandados de prisão preventiva, 7  de condução coercitiva, 4 de custódia temporária e 23 de busca e apreensão.

A Operação Lava Jato, sem dúvida, já entrou para a história pelo feito de desmontar uma rede enraizada na maior estatal do país, que desviou milhões de reais em diferentes contratos. O dinheiro da propina vinha sendo rateado entre os partidos políticos e seus líderes como uma prática rotineira nos últimos anos.

Uma operação imprescindível para limpar o país da lama de corrupção que cobria o serviço público e gerava  prejuízos incalculáveis à nação. Portanto, o saldo da operação até aqui é absolutamente positivo e necessário. Mas, com todo remédio eficaz no combate à uma grave doença, este também tem seu efeito colateral.

No caso da Lava Jato, é o descrédito com a classe política que, bem ou mal, é indispensável para a sustentação do regime democrático. Nessa cascata de denúncias e prisões, a impressão que fica para a opinião pública é a de que nenhum político presta e de que todos, dependendo da oportunidade, metem  a mão no dinheiro público. Isso torna-se mais preocupante ainda em um ano eleitoral, quando os cidadãos vão às urnas escolher os futuros gestores municipais.

O risco é de que a descrença generalizada criada em torno dos políticos leve o eleitorado a fazer incursões pelo perigoso campo dos aventureiros, aqueles que se apresentam como salvadores da pátria, distante da política tradicional, mas que, historicamente, têm se revelado desastrosos quando assumem o poder. Por isso, é preciso, mais do que nunca, manter-se informado e ligar o desconfiômetro na hora de escolher em quem votar.