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Paixão por eleições

Brasileiro adora eleição. Desconfio que tanto quanto gosta de futebol, pois só isso justifica tamanho interesse por pleitos, seja para síndico de condomínio, presidente de sindicatos ou federações profissionais ou mesmo disputas político partidárias. Como as próximas eleições serão somente no mês de outubro, as que vão eleger os novos prefeitos e vereadores dos municípios brasileiros, as atenções se voltam agora para a votação que irá escolher o novo presidente da Câmara dos Deputados.

A disputa para o cargo é tão grande que causa embaraços dentro dos próprios partidos. Há muitos interessados para uma só cadeira. E por que isso? Porque a presidência da Câmara concentra enorme poder, ainda mais na véspera de uma outra votação ainda mais importante: a do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

O presidente interino Michel Temer está pisando em ovos para não ferir nenhum dos candidatos da base aliada que, na verdade, nem é tão aliada assim, já que o apoio dispensado por ela ao governo é mais frágil que o de uma vela acesa à beira mar. Está sempre precisando alimentar-se de cargos e de verbas para manter-se de pé.

Eduardo Cunha, mesmo após a renúncia, não se afastou totalmente e trabalha incansavelmente nas sombras da Casa para eleger um aliado seu. O PT esforça para derrotar os candidatos que se manifestaram a favor do impeachment, enquanto um pedaço do mesmo partido, com a chancela do ex-presidente Lula, ensaia um apoio de bastidores ao deputado Rodrigo Maia (DEM). Como se vê, o tabuleiro é intricado e não abre espaço para iniciantes ou inocentes.

A votação é secreta e deve ocorrer amanhã. Até lá, muita coisa ainda pode acontecer. Alguns nomes sairão de cena por inanição e outros ainda podem ser inflados. O deputado Rogério Rosso , por enquanto, é tido como favorito. Mas Rodrigo Maia corre na lateral e pode surpreender.