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Os filhos da Lava Jato

Em todo o Brasil, o cerco está se fechando contra a corrupção, embora esta seja uma praga secular no país. Mas o exemplo da Operação Lava Jato é pedagógico e veio para mostrar que não há crime perfeito, tampouco pessoas acima da lei. A operação deflagrada hoje no Piauí não deixa de ter inspiração no trabalho comandado pelo juiz Sérgio Moro.

O Ministério Público Estadual, com o apoio da Rede de Controle, formada por Tribunal de Contas, Controladoria Geral do Estado e da União, e Polícias Militar e Civil, trouxe à tona hoje uma ponta do trabalho que já vem sendo feito há algum tempo para combater a corrupção nas prefeituras do interior.

Pelas informações de bastidores, o que se sabe é que existe uma rede de empresas de fachada emitindo notas fiscais frias para diversas prefeituras para recuperar o dinheiro emprestado a prefeitos durante as campanhas eleitorais. Além disso, muitos indícios de superfaturamento em licitações viciadas.

Esse tipo de ação, como já dissemos, não vem de hoje. O que mudou foi o aperfeiçoamento dos mecanismos de controle externo, bem como a vigilância do controle social, indispensável para a transparência dos negócios executados com o dinheiro público. Com a informatização da prestação de contas e ferramentas do tipo “licitaçõesweb”, desenvolvidas pelo TCE, ficou mais fácil monitorar as despesas dos gestores. E como diz a máxima da investigação: rastreando o  dinheiro  chega-se à origem da corrupção.

O esquema é pesado e envolve uma rede de contratos e notas superfaturadas  que enriquecem os desonestos e deixam a população piauiense ainda mais pobre, porque privada dos benefícios que poderiam vir dos recursos desviados.  Agora, cabe à justiça o julgamento implacável contra os corruptos, a exemplo do que está fazendo o juiz de Curitiba.