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Segunda-feira de cinzas

A Olimpíada Rio 2016 terminou ontem com uma bela e criativa cerimônia, enaltecendo nossas riquezas e tradições. Foi o coroamento de uma festa esportiva que durou 17 dias e que mostrou ao mundo nosso jeito de ser. A princípio, houve muitas críticas, medo e apreensão sobre o que poderia acontecer. As preocupações giravam em torno da infraestrutura, da capacidade de organização e, principalmente, da segurança.

Vencidos alguns percalços nos dois primeiros dias com relação às obras dos alojamentos no Parque Olímpico, o Rio de Janeiro deu um show de beleza, alegria e hospitalidade, capaz de cativar todos os atletas e turistas que vieram assistir aos jogos.

O esporte tem essa capacidade de unir as pessoas para torcerem juntas pela vitória do seu time, do seu país. E aqui não foi diferente. Machucado por uma situação política turbulenta, que dividiu a nação entre “os contra” e “os a favor”, e por uma economia extremamente fragilizada, a Olimpíada chegou como um bálsamo para aliviar as feridas abertas na alma do povo brasileiro.

Ainda que por alguns dias, o povo deixou a tristeza de lado e torceu vendo seus ídolos suando nos campos, nas quadras e nos tatames. E vibrou acompanhando a história de superação de muitos atletas que conseguiram subir ao pódio para receber a tão sonhada medalha. Como não se emocionar com a conquista das três medalhas do bravo Isaquias? Ou com o ouro dos meninos do voley?

Hoje, a segunda-feira amanheceu com cara de quarta-feira de cinzas. Festa acabada, hora de encarar a realidade, a fila do emprego, a votação do impeachment, o custo de vida. Pelo menos, guardamos um pouco da alegria e da autoestima recuperadas por sabermos que, não obstante tantas dificuldades, conseguimos encantar o mundo com o que temos de melhor: nosso jeito de ser brasileiro.