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O último ato

Às onze da manhã, os olhos da nação estarão grudados na televisão para assistir, pela segunda vez na história política recente, a uma votação de impeachment de Presidente da República. A primeira foi em 1992, quando o então presidente Fernando Collor de Melo foi afastado do Planalto. Hoje, é a vez de Dilma Rousseff, a primeira mulher a ocupar  a presidência da república.

Eleita com folga, embalada pelo apoio do ex-presidente Lula, Dilma já foi para a reeleição com uma margem bastante apertada contra seu principal adversário, o tucano Aécio Neves. O segundo mandato da presidente praticamente nem chegou a começar. Desde o início, foi marcado por muitos embates políticos e populares, com a presença constante de pessoas no movimento denominado “Vem Pra Rua”.

A maior dificuldade, no entanto, começou quando a presidente resolveu bater de frente com o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que, ferido, empenhou-se pessoalmente em receber e dar seguimento ao processo de impeachment, impulsionado pela dificuldade de diálogo político da presidente e dos números negativos da economia, que empurraram o país para uma recessão sem precedente.

O argumento técnico foram as chamadas pedaladas fiscais praticadas no ano de 2015. O uso de dinheiro dos bancos públicos para financiar programas de governo e os decretos de abertura de crédito suplementar sem autorização do congresso fundamentaram o pedido apresentado pelo jurista Miguel Reale Júnior e pela advogada Janaína Paschoal.

Hoje, esse processo chega ao desfecho depois de um longo embate de argumentos contra e a favor. O presidente interino, confiante na vitória do sim, já prepara a solenidade de posse e o discurso que deverá fazer em cadeia nacional, pregando a pacificação do país e as reformas fiscais, com a imposição do teto dos gastos públicos e as mudanças nas regras da Previdência. Pelo que tem se visto nos últimos meses, a segunda tarefa será bem mais fácil que a primeira, embora ambas sejam de crucial importância para o Brasil.