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Prevaleceu o jeitinho brasileiro

A longa agonia chegou ao fim. Dilma Rousseff se despediu ontem da Presidência da República, depois de um exaustivo processo de impeachment, durante o qual as teses da defesa e acusação se alternaram até tornarem-se repetitivas.  O placar foi quase previsível. Os aliados de Temer falavam em 60 votos favoráveis ao afastamento. Conseguiram 61. O mínimo necessário era 54, que corresponde a dois terços dos 81 senadores.

Mas o que não estava previsto era o desmembramento do julgamento para permitir a Dilma a garantia dos direitos políticos, mesmo com a cassação do mandato, como prevê o texto constitucional. A oposição ainda tentou questionar. E o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, lembrou que a manobra pode acabar favorecendo o deputado Eduardo Cunha, o próximo a ir a julgamento.

De fato, o jeitinho brasileiro acontece até nos julgamentos mais importantes, com a chancela do Supremo Tribunal Federal. De agora em diante, políticos cassados vão puxar o exemplo de Dilma para livrarem-se da pena que estabelece a inabilidade para ocupar cargos públicos e, assim, voltarem a se apresentar nas eleições seguintes, com a garantia do foro privilegiado.

Hoje, começa de fato o ano de 2016. Até o fim do mandato de Michel Temer, que começou efetivamente ontem, restam apenas 28 meses. É pouco tempo para implementar a ousada agenda proposta por ele. Ainda mais, se levarmos em conta que o mês de setembro é dedicado à curta e intensa campanha para as eleições municipais e que, por isso mesmo,os parlamentares não estarão assim tão dispostos a votar medidas consideradas impopulares, mesmo que necessárias para o equilíbrio das contas públicas, como a reforma da previdência, por exemplo.

A nação deve ficar vigilante acompanhando cada passo do novo presidente. As expectativas são muitas, o tempo é limitado e o Congresso...Bem, o Congresso continua o mesmo: fisiológico, oportunista e chantagista.