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As mudanças no ensino médio

A proposta de reforma da educação para o ensino médio, lançada ontem pelo Planalto, já está causando rebuliço em todo o país, o que é natural. Toda reforma gera um desconforto inicial porque pressupõe mudanças em uma rotina à qual as pessoas já estão acostumadas. Mas é inegável que com os pífios resultados obtidos nas últimas avaliações, era preciso uma reforma no atual modelo de ensino no país.

Os pontos de maior destaque são o aumento da carga horária, que deve passar gradativamente de 800h para 1.400 horas por ano e a opção do aluno em direcionar os estudos para as matérias relacionadas à carreira profissional que pretende seguir no futuro. Além disso, artes e educação física deixariam de fazer parte do currículo obrigatório e haveria a inclusão de ensino técnico e profissionalizante.

Quanto ao aumento da carga horária, esta já é uma medida esperada há bastante tempo. A polêmica reside na mudança da grade curricular. Pelo projeto, o aluno teria a opção de escolher metade das disciplinas que irá cursar, de olho em suas habilidades que devem direcioná-lo para o futuro profissional.

A vantagem dessa mudança é que o estudante não perderia mais incontáveis horas de estudo e exercícios com conteúdos que nunca mais irá aplicar ao longo de sua vida. Uma base curricular obrigatória é cumprida por todos e, depois, há o direcionamento para a área de interesse do aluno. De fato, é desproporcional que um estudante que pretenda seguir a área de humanas, por exemplo, se aprofunde em questões complicadas de física ou química. Ele só precisa saber o básico dessas matérias.

Nos Estados Unidos, os alunos do ensino médio têm essa opção. Assim, otimizam o tempo de estudo, canalizando os interesses para o que lhes será útil mais adiante. O que me parece mais grave em toda a reforma é maneira como ela foi concebida e apresentada, sem discussão com os educadores. Uma reforma tão complexa não pode cair como um meteoro sem ouvir diferentes especialistas.