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A prisão de Palocci e o descrédito na política

Mais um ex-ministro da Fazenda é preso pela Operação Lava Jato. Antônio  Palocci, o ex-todo poderoso integrante do governo Lula, foi preso hoje cedo na 35ª fase da operação que vem abalando as estruturas política e econômica do país. Nesta fase, batizada de Omertà, a Lava Jato trabalha com 45 mandatos judiciais, sendo 27 de busca e apreensão, 3 de prisão temporária e 15 de condução coercitiva, quando a pessoa é levada para depor. A atuação se dá nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Distrito Federal.

Quando a operação começou, em março de 2014, ninguém poderia prever os desdobramentos resultantes de uma investigação sobre lavagem de dinheiro em postos de combustíveis . Desde então, a cada nova fase, um surpresa. As maiores empresas de construção civil do país foram envolvidas e figuras políticas de expressão no cenário nacional, incluindo ex-ministros, acabaram presos.

Semana passada foi o Guido Mantega, o ministro da fazenda mais longevo da república brasileira. Hoje foi o Palocci, acusado de ter pedido R$ 2 milhões ao doleiro Alberto Youssef. Ninguém sabe quantas fases ainda virão e quem mais pode estar envolvido no esquema que desviou bilhões de reais da Petrobras .

Mas, se por um lado, a Lava Jato expõe o submundo das negociações para subtrair dinheiro público e coloca em descrédito a classe política e empresarial do país, por outro traz o alento de que, agora, a impunidade encontrou resistência e de que os crimes praticados contra os cofres públicos serão julgados com rigor. Já é um fio de esperança.