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Mais um FLA X FLU no Planalto

Com 58 votos a mais que o necessário, o governo conseguiu aprovar ontem à noite a PEC 241, que limita o aumento dos gastos públicos ao valor da inflação medida no ano anterior pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) pelos próximos 20 anos. Os setores da saúde e educação, no entanto, só serão submetidos à nova regra a partir de 2018.Foram 366 votos a favor, 111 contra e duas abstenções. Como já se tornou comum desde a última eleição para presidente, a discussão em torno da PEC do teto, como está sendo chamada, se tornou mais um FLA X FLU. Ânimos exaltados entre governo e oposição defendem e condenam o teor da proposta, de acordo com suas conveniências partidárias.

A verdade é que o país meteu-se em uma gastança desgovernada, indo além do que arrecadava, e agora chegou o momento do ajuste de contas, sempre amargo. Com o desequilíbrio financeiro, a inflação disparou, os juros subiram, os investimentos sumiram e o desemprego bateu à porta de 12 milhões de brasileiros. Em nenhuma casa, empresa e, também nos governos, pode-se gastar mais do que se ganha.

Michel Temer sabe que tem pouquíssimo tempo para mostrar resultados, diante da grande cobrança que existe sobre sua cabeça. A ex-presidente Dilma Rousseff foi afastada mais pela situação econômica desastrosa em que se encontrava o país do que por qualquer outro motivo. O novo presidente precisa colocar o Brasil outra vez nos trilhos para reconquistar a confiança dos empreendedores e trazer o trabalho e o salário de volta aos brasileiros. Caso contrário, seu fim será melancólico.

Não é a toa que empresários dos mais diferentes setores publicaram anúncios nos principais veículos de comunicação manifestando apoio à PEC 241. Eles sabem que se as contas continuarem sem controle, a economia seguirá despencando ladeira abaixo. Alguns setores, de olho em possíveis aumentos nos seus já recheados contracheques, levantaram a voz contra a proposta. Puro corporativismo de quem está mais preocupado com o próprio salário do que com a situação geral do país. Para doze milhões de trabalhadores, já não há mais sequer contracheque, quanto mais aumento. E é neles que o Brasil deve pensar agora.