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Quem tem medo de Eduardo Cunha?

Mais do que ao próprio Eduardo Cunha, a prisão do ex-presidente da Câmara dos Deputados causou apreensão entre os políticos que gravitavam ao seu entorno, seja como aliados ou como inimigos. Como ele já esperava que, mais dia menos dia, seria levado à carceragem da Polícia Federal em Curitiba, tratou de reunir provas, documentos e apontamentos em agendas que revelam o grau de comprometimento dos agentes públicos do país nos últimos anos.

Eduardo Cunha foi, durante muitos anos, um homem todo poderoso, que operava a negociação de favores e dinheiro, não só para si, como para seu partido, o PMDB. E na condição privilegiada em que se encontrava, também tinha acesso a informações que fazem tremer de medo os seus adversários.

Homem frio, organizado, calculista, ele programou tudo cuidadosamente. Imaginou publicar o livro que vem escrevendo nas últimas semanas antes da sua prisão e chegou até mesmo a negociar com algumas editoras. A obra é uma bomba de teor altamente explosivo, com revelações que podem incriminar muita gente deste governo e do anterior.

A bolsa de apostas agora em Brasília é saber quem está citado no livro e em qual grau de comprometimento. Como saiu do processo de sua cassação extremamente magoado, promete bancar o delator por meio deste livro que, desde já, desperta curiosidade pelo temor que provoca. É mais um capítulo nos sucessivos escândalos que têm sacudido a nação brasileira e, ao que parece, vem com a força de um terremoto.