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Quando a ocupação extrapola

De repente , o mundo acordou e parece ter descoberto que “ocupação” é a palavra do momento. Por tudo, ou por nada, a solução passou a ser ocupar espaços públicos e privados. É uma forma pacífica de manifestação com o intuito de protestar e expressar insatisfação. O problema, como sempre, é quando uma ferramenta válida para determinadas situações termina se banalizando.

O território ocupado da vez é a reitoria da Universidade Federal do Piauí.  Desde o dia 18 de outubro, alunos ocuparam o prédio da reitoria, o salão nobre ( onde encontram-se valiosas obras de arte) e lá permanecem acampados, atrapalhando o funcionamento da mesma. Os motivos são confusos. Em um dos cartazes afixados pelos estudantes, lê-se a seguinte frase: “ Fora aquele que não deve ser nomeado”. A quem se refere? O atual reitor, professor Arimateia Lopes, foi eleito pela maioria dos votos da comunidade acadêmica.

A pauta original seria contra a PEC 241, uma pauta nacional, portanto, que não depende de qualquer ato da reitoria. Ainda assim, é estranho que estudantes sejam contra o controle dos gastos públicos. A gastança indiscriminada do governo levou ao desequilíbrio fiscal do país com danosas consequências para sua economia. O Brasil encontra-se hoje endividado e submerso em uma crise econômica sem precedentes.

Era bom que entre os estudantes houvesse algum de economia para explicar que os governos, como as empresas, não podem gastar mais do que arrecadam, sob pena de entrarem em colapso. O argumento de que vai tirar receita da educação é falso porque o teto dos gastos é para o total de despesas da União. A receita da educação pode até crescer, desde que se retire de outra rubrica, como acontece em qualquer economia saudável.

Agora, em um calendário já bastante comprometido por conta das sucessivas greves na instituição, provocar mais um impedimento para o pleno funcionamento da universidade é voltar-se contra si próprio. Mais do que nunca, a Universidade precisa trabalhar, produzir e fazer funcionar plenamente os seus três pilares: ensino, pesquisa e extensão.