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Cenário de Morte

O juiz da 2ª Vara da Infância e Juventude fez um desabafo estarrecedor, que não pode passar despercebido. Ao comentar ontem a morte de mais um menor nas dependências do Centro Educacional Masculino de Teresina (CEM), o juiz Antônio Lopes disse textualmente: “Foi mais uma morte porque aqui é o cenário ideal para isso”. Como  pode um espaço mantido pelo poder público para abrigar menores infratores se transformar no cenário perfeito para assassinatos? É o total desvirtuamento do papel do Estado, que deveria oferecer proteção, educação e ressocialização para adolescentes que, por algum motivo, cometeram um delito.

Não é a primeira morte que acontece lá dentro. Vez por outra, somos surpreendidos com a notícia de que um menor foi morto pelos colegas que dividem o mesmo espaço. Ociosos, sem professores, segundo o juiz Lopes, com poucos educadores para monitorá-los e apertados em espaços minúsculos, o resultado são brigas constantes que,  em algum momento, terminam em morte, como aconteceu esta semana.

O CEM tem capacidade para abrigar 60 adolescentes, no entanto, lá encontram-se 153, muito acima do dobro do que deveria existir. A realidade atual é de um educador social para cada 21 menores, quando a proporção ideal é de um para três. Ou seja, o Centro está totalmente fora dos padrões de segurança. Daí a declaração do juiz, que foi mais além e disse: “Morre adolescente, morre educador, morre todo mundo.” Até quando?

A Secretaria de Assistência Social e Cidadania, responsável pelo Centro, disse que o edital de licitação para a obra de reforma e ampliação do lugar deve sair no dia 7 de novembro.  Vamos aguardar o novo prazo e torcer para que, até lá, não surja um novo cadáver. É bom lembrar que essa reforma já vem sendo aguardada há 6 meses.