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Vitória do autoritarismo

Por 6 votos a 4, o Supremo Tribunal Federal  acertou em cheio o movimento sindical. A partir de agora, os governos ( federal, estadual e municipal) ficam autorizados a cortar o salário dos servidores públicos em greve, independente de a justiça vir a julgar o movimento ilegal.  Com essa decisão, o STF esvazia qualquer possibilidade de greve, um movimento legítimo de reivindicação por melhores salários e condições de trabalho.

A única exceção é para os casos de quebra do acordo de trabalho por parte do empregador, como atraso no pagamento dos salários. Quer dizer então que o governo pode congelar os salários pelo tempo que achar conveniente, tirando o poder de compra do trabalhador? Ou colocá-lo para trabalhar em condições inadequadas, como tantas vezes acontece nos hospitais públicos, só para citar um exemplo?

A ironia dos ministros que votaram pela suspensão do pagamento dos salários dos grevistas chega a ser cruel. O Ministro Luís Roberto Barroso disse que “o poder público não apenas pode, mas tem o dever de cortar o ponto.” Certamente, nenhum dos ministros precisa recorrer ao instrumento da greve porque são todos muitíssimo bem pagos, com direito a privilégios e mordomias que as outras categorias desconhecem, além de trabalharem em gabinetes confortáveis, onde não faltam equipamentos ou material de expediente para o exercício das suas funções.

No Brasil profundo, porém, a realidade é bem diferente. Muitos servidores trabalham em condições precárias, recebem pouco e não são valorizados. A greve era o recurso disponível para fazer valer os seus direitos. É certo que aqui e ali há casos em que os grevistas extrapolam, mas não é a regra. E nem se pode prejudicar todos os trabalhadores por conta de alguns.