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Manutenção de Geddel atenta contra a lisura do governo

Na semana seguinte em que o Brasil aplaudiu a justiça por agir firmemente na punição aos dois ex-governadores do Rio de Janeiro, mostrando que o braço da lei deve atingir indistintamente quem comete ilicitudes, o Presidente Michel Temer marcha na contramão do sentimento nacional e decide manter na sua equipe o Ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, apesar das suspeitas do uso de tráfico de influência para obter vantagens pessoais.

O agora ex-Ministro da Cultura, Marcelo Calero, disse textualmente em entrevistas que deixou  o cargo porque estava sendo pressionado pelo colega da Secretaria de Governo para que determinasse a aprovação da construção de um condomínio de luxo em Salvador, mesmo com parecer contrário do IPHAN, órgão subordinado à pasta da cultura. Segundo Marcelo, Geddel teria dito a ele que havia comprado um apartamento no referido edifício e que não poderia ficar no prejuízo.

A denúncia é grave. Quando um Ministro de Estado se vale do seu cargo para obter vantagens pessoais, ele está prevaricando. E pior: pressionando um colega para passar por cima de parecer técnico, ameaçando até de demissão a chefe do órgão que emitiu documento contrário aos seus interesses pessoais.

Ministros são nomeados para defender o bem público e a coletividade, não o seu patrimônio privado. Mas aqui no Brasil, infelizmente, ainda é acintosamente comum a mistura entre as duas esferas. E o presidente da república, que se orgulha de ser um constitucionalista, deveria ser o primeiro a zelar pela seriedade dos atos da sua equipe de governo. A própria  Comissão de Ética Pública da Presidência votou favorável à abertura de um processo para investigar a conduta do Ministro. É desanimador, em  tempo de Lava Jato, ver o Presidente acobertar erros dessa natureza para proteger aliados.