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Um país em vigília contra o Caixa 2

Na semana passada, a vigilância cívica dos brasileiros impediu a votação da anistia do Caixa 2 no Congresso Nacional. Em mais uma tentativa de manobra para beneficiar seus pares, a Câmara espera aprovar a proposta amanhã,  embutindo-a dentro do pacote das dez medidas de combate à corrupção proposto pelo Ministério Público. Seria desvirtuar totalmente o projeto elaborado pelos procuradores para ficar como legado da operação Lava Jato.

Os políticos estão preocupados porque têm visto o rigor na condução da operação, que não está aliviando as altas patentes, mas colocando todos sob o mesmo peso da lei. Como é difícil achar um só parlamentar que não tenha se utilizado do artifício do Caixa 2, os congressistas estão fazendo de tudo para aprovar a anistia.

Como na semana passada, só mesmo a pressão popular, por meio de manifestações presenciais ou virtuais, é capaz de barrar mais essa matreirice dos nossos deputados.  Mesmo antes do seu desfecho, a Lava Jato já deixou um legado ao Brasil: a intolerância da sociedade com qualquer tipo de corrupção ou bandalheira. Ao expor as vísceras do sistema que prosperava às custas do desvio do dinheiro público, a operação comandada pelo juiz Sérgio Moro acordou o sentimento de indignação que encontrava-se adormecido na população brasileira. Tanto é que, diante das manifestações de norte a sul do Brasil, o Presidente Michel Temer já antecipou que vetará uma possível aprovação da anistia pretendida pelos deputados.

A partir de agora, cada cidadão deste país sente-se responsável por controlar, fiscalizar e cobrar a moralidade dos agentes públicos. E para isso, estão presentes nas redes sociais e nos demais espaços democráticos de discussão dos que querem um país mais decente e justo.  Um estudo da Decomtec, órgão ligado à FIESP, aponta que o Brasil perde anualmente R$69 bilhões do patrimônio público para os ralos da corrupção. É preciso, portanto, que todos estejam de olhos bem abertos para evitar a perpetuação dessa prática danosa contra o Erário.