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Democracia aviltada

É preocupante o clima de intolerância e ódio que, há algum tempo, vem tomando conta de diferentes segmentos da sociedade brasileira. Em algum ponto da história política recente, o reconhecido povo cordial, nas palavras de Sérgio Buarque de Hollanda, deixou de lado a delicadeza e enveredou por atos e palavras de agressão.

Depois que uma geração inteira foi torturada e presa para que hoje desfrutássemos da liberdade, incluindo aí a de expressão, grupos isolados, mas perigosos, querem fazer o caminho de volta, impondo a patrulha e a censura. Se alguém é contra o pensamento que pregam como o único possível, é maltratado, destratado, quase apedrejado.

Ontem, professores da UFPI foram surpreendidos com agressões pichadas nas paredes do campus. Uma hostilidade absolutamente incompreensível em um ambiente de discussão e pluralidade de ideias, como deve ser uma universidade. Mas, justamente lá, os argumentos foram trocados por palavras grosseiras.

Ontem também, o que era para ser um protesto contra uma medida do governo em votação no Senado transformou-se em ato de selvageria, com depredações, carros incendiados, tumultos que transformaram a praça da democracia em uma quase praça de guerra. Tristes tempos em que o ódio e a violência se sobrepõem ao diálogo e ao debate cívico.