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A República no chão

Para completar o que faltava na lista de catástrofes do ano de 2016, começou a vazar a delação da construtora Odebrecht, também conhecida como “delação do fim do mundo”, apelido facilmente justificado pelo alcance das personagens envolvidas.

Se já havia uma crise política instalada no país, a situação conseguiu piorar, e muito. Só na primeira delação, a cauda do dragão já arrastou uma boa leva de políticos, muitos deles de altíssimo calibre. Do presidente da república aos parlamentares piauienses, apelidados de pequi, decrépito e boca mole, passando por ministros e senadores, o estrago foi grande.

Todos os citados apressaram-se em negar com veemência o teor da delação, mas, evidentemente, o delator terá que provar o que disse, ou não terá direito aos benefícios da delação premiada. Até lá, quase a totalidade da república está sob suspeita. E nem adianta usar o argumento roto de que esta era uma prática comum e que todos a utilizavam para tentar minimizar o impacto da notícia que repercutiu no país inteiro.

Caixa 2 é crime, sim. E nenhuma empresa distribui dinheiro gratuitamente a políticos sem cobrar a fatura depois, para que sejam aprovados projetos do seu interesse. A verdade é que a promiscuidade tomou conta do Congresso, enodoando a atividade parlamentar com negociatas em que o público é sempre o prejudicado, porque acaba pagando a conta de um banquete do qual não foi convidado a participar.